Gnerosa – Gênero em prosa

Falação e instigação

Marcha das Vadias faz atos em todo país no fim de semana

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No dicionário, o adjetivo feminino vadia significa ”mulher que, sem viver da prostituição, leva vida devassa ou amoral”. Na vida, adolescentes e jovens se apropriaram do termo para criar um movimento global que exige o fim da violência doméstica e da culpa atribuída à mulher. A Marcha das Vadias acontece em 13 cidades neste sábado (25) e domingo (26), como São Paulo e Porto Alegre, onde a União Brasileira de Mulheres (UBM) participa.

A palavra é usada de forma pejorativa e, geralmente, é atribuída às mulheres que optam em sair dos padrões comportamentais e assumem suas escolhas seja no uso de uma roupa, seja no uso da palavra. Para chamar a atenção sobre a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher é que milhares sairão às ruas.

Nesta 3º edição da Marcha, o tema escolhido foi “Quebre o Silêncio” com o objetivo de enfatizar sobre a necessidade de ampliar as denúncias de violência doméstica, com a divulgação, inclusive, dos serviços de atendimento de referência.

Dados do Ligue 180, da secretaria nacional de Política para Mulheres, a cada dia, em média, 2.175 mulheres telefonam para o serviço. Em 89 % dos casos, o agressor é o companheiro ou ex-companheiro da mulher, 50% das vítimas dizem estar correndo risco de morte. O Brasil é o 7º país no ranking mundial de homicídios de mulheres, segundo o Conselho Nacional de Justiça. O Mapa da Violência 2012, citado pela ministra Eleonora Menicucci, revela que em 65% dos casos de violência sexual o estuprador era um parente ou conhecido da mulher.

“Após diversas reuniões, chegamos à conclusão de que é preciso quebrar o silêncios das mulheres que sofrem violência e não têm coragem de se expor. Sabemos que o número de denúncias divulgado ainda mostra a realidade. É preciso acabar com a culpa atribuída às mulheres pelo patriarcado”, explicou uma das integrantes do coletivo em São Paulo, Priscila Bernardes, 27 anos.

Na capital paulista, onde a marcha será no sábado, o grupo composto por cerca de 20 mulheres tem entre 18 e 34 anos. Apesar de não agradar alguns movimentos mais tradicionais de mulheres, pelo uso do adjetivo tido como vulgar, elas se definem como feministas e valorizam a luta e mobilização das primeira e segunda onda feminista, no final do século 19 e início do 20 e segunda metade da década de 1960, respectivamente.

“Estamos nos apropriando da palavra vadia para chamar a atenção sobre a liberdade de escolhas para mulheres e homens. E aí provocamos com a seguinte questão: a palavra vadia te choca mais do que a violência contra a mulher”, completou a integrante da Marcha, que concorda que a irreverência e o bom humor são traços característicos dos movimentos contemporâneos. “A irreverência é uma forma que encontramos para atrair mais militância e ampliar a mobilização. Pensamos que primeiro é preciso atrair e despertar o interesse pela causa para, enfim, abrir o debate”, completou.

Para as jovens, que faziam parte de outros movimentos, mas a grande maioria vive sua primeira experiência como militante, é preciso mudar a estratégia para a aproximação das novas gerações, com discurso atual, porém, se apropriando do bom e velho ideal feminista de mulheres como Bertha Lutz e Simone de Beauvoir.

“Não acreditamos no pós-feminismo, mas sim no feminismo. Em uma terceira e até numa quarta onda feminista, com maior força e representatividade, mais plural, com a participação de mulheres negras e transexuais”, esclareceu.

Homens e internet: para quebrar o silêncio da mídia

Em São Paulo, a Marcha se reúne quinzenalmente para deliberar sobre os temas da agenda feminista, promover debates e outras atividades culturais e políticas, os quais homens são muito bem vindos. No entanto, na formação do coletivo, o grupo chegou concluiu que a presença masculina poderia prejudicar as discussões e até inibir os posicionamentos.

“É uma participação crescente nos debates e atividades que promovemos. Os homens têm agregado bastante à luta, abrindo diálogos construtivos, afinal, se por um lado são agentes da sociedade patriarcal, também são vítimas. Mas, para o coletivo em São Paulo, decidimos fechar a participação masculina para valorizar a luta das mulheres. Mas isso é uma decisão de cada coletivo. Não há uma hierarquia a ser seguida. Mas, certamente, é um tema que voltaremos a abordar por ainda suscitar discussão”, explicou Priscila.

Outra ferramenta importante para as mobilizações é a internet, onde o movimento mantém uma página no Facebook, no Flickr e um blog. De acordo com o coletivo, todos os esforços são feitos para que as informações cheguem ao público, sem a frequente manipulação da grande mídia hegemônica, que, invariavelmente, rotula o movimento de mulheres.

Curiosamente, o adjetivo masculino vadio tem outro signifcado da palavra irmã feminina: “que não tem ocupação, trabalho, ou que nada faz”. Influência da opinião pública?

A Marcha

Em São Paulo a marcha terá concentração na Praça do Ciclista, no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, a partir das 12 horas, quando ocorrerão oficinas de cartazes e stencil. A marcha deve sair por volta das 14h e percorrerá a Avenida Paulista, Rua Augusta, até a Praça Roosevelt, onde se encerrará.

Outras doze cidades recebem a Marcha das Vadias neste fim de semana, das quais sete também são capitais: Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, São Luís e Aracaju. As outras cidades são Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, e São Carlos, Bauru, Sorocaba e São José dos Campos, no interior de São Paulo.

A União Brasileira de Mulheres (UBM) participará da marcha em diversas cidades, como em Porto Alegre, no domingo (26), e Curitiba, programada para ocorrer em 13 de julho, onde já estão sendo produzidos banners e panfletos.

“É uma luta importoante, em especial de combate à violência contra as mulheres e a UBM, uma entidade que foi fundada com o slogan ‘Por um mundo de igualdade, Contra toda a opressão’, tem nas lutas da Marcha das Vadias mais um espaço de denúncia contra o modelo cultural baseado no patriarcado e consequentemente no machismo”, defendeu Elza Campos, coordenadora nacional da UBM.

Origem

Em Janeiro de 2011, jovens da Universidade de Toronto, no Canadá, que estavam amedrontadas por uma onda de violência sexual que tomava o campus, são questionadas por um policial. Em seu discurso, o homem apelou para que as mulheres evitassem “se vestir como vadias” para não serem vítimas de estupro. No dia 3 de abril daquele ano, três mil pessoas tomaram as ruas de Toronto, num protesto batizado como SlutWalk. O movimento se alastrou mundo afora.

No Brasil a primeira marcha aconteceu em 2011, com cerca de 600 pessoas. Em 2012, o coletivo não esperava reunir tanta gente: 2 mil. Neste ano, as organizadoras apostam que o número deve aumentar. No Facebook, mais de 6 mil internautas confirmaram presença.

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(Deborah Moreira, publicado originalmente no Vermelho, nesta data / imagens: divulgação Marcha das Vadias)

Written by Deborah Moreira

24/05/2013 at 19:30

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Sem rodeios e bagatelas

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Sem rodeios, não sei se é pra valer, mas, estou por aqui novamente. Um ano e nove meses depois retornou sem nunca ter saído efetivamente. As questões de gênero na verdade estão cada vez mais presentes na minha vida. Não somente por ser mulher e por trabalhar cobrindo o movimento de mulheres, mas, principalmente, por perceber que as relações desiguais entre mulheres e homens, não necessariamente nessa ordem, compõem o pano de fundo do atual modelo de organização social, onde o internacionalismo e as disputas locais ora concorrem entre si, ora convergem entre si.

Nas últimas décadas o movimento de mulheres alcançou patamares globais, dando visibilidade à causa feminista, descortinando as relações de poder. Em meio às transformações contemporâneas de comportamentos, muito embora não sejam tão contemporâneos quanto podemos deduzir em uma análise raza, surge uma nova geração de militantes. Mulheres e homens que buscam (utopicamente falando) a igualdade.

Não aceito a bagatela das políticas públicas de inclusão, os perdões das esposas sofridas ou arrependimentos de maridos raivosos. Não aceito menos do que um mundo onde possamos pensar, falar, vestir ou nos relacionar com quem quisermos, do jeito que quisermos, sem que haja julgamento pelo simples fato de ser mulher.

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Há alguns posts passados falei sobre o documentário Bagatela, que traz uma problemática do direito penal que esbarra em uma questão muito maior: a criminalização da pobreza. Indo mais além, o documentário demonstra de forma simples e direta o resultado de um processo que vem desde a década de 1970: a feminização da pobreza.  Fiquei devendo o filme, que agora encontrei no youtube. O documentário te envolve desde o começo, tem desenvolvimento instigante e final surpreendente com a Sueli!

Resumo: Sônia é uma advogada que defende voluntariamente mulheres que roubaram produtos de valores baixos em momentos de dificuldade financeira. Maria Aparecida, Sueli e Vânia são mulheres que vivem ou viveram essa realidade. O documentário ainda expõe as fragilidades do sistema judiciário brasileiro que levam a erros de julgamento, além da relação confusa entre quem quer ajudar e quem precisa de ajuda.

 

Written by Deborah Moreira

24/05/2013 at 2:45

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Abraço solidário às mulheres vítimas de violência doméstica

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Acontece quinta-feira uma manifestação para marcar os 5 anos da Lei Maria da Penha. Um abraço simbólico será dado em frente ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), na Sé, entre 12h e 14h.

Ato organizado pelas entidades: União de Mulheres de São Paulo,  Promotoras Legais Populares, Coletivo Feminista Dandara da USP, Coletivo Iabá, Cia.Kiwi de Teatro, Marcha Mundial de Mulheres, Instituto Sou da Paz, Instituto Patricia Galvão, Coletivo Alumiá – Mauá, Associação de Promotoras Legais Populares Cida da Terra /Campinas, AMB-Articulação de Mulheres Brasileiras, Associação Marisa Dandara, Associação Mulheres pela Paz, Articulação Popular e Sindical de Mulheres Negras, Agentes Bem Querer Mulher, Católicas pelo Direito de Decidir, Centro Dandara de Promotoras Legais Populares de São José dos Campos, CIM-Centro Informação Mulher, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Liga Brasileira de Lésbicas, Núcleo da Marcha Mundial das Mulheres/SJC-Urbanas e Rurais/MST, Observatório da Mulher, Projeto Maria Maria, PROLEG /Santo André, Rede Mulher de Educação, Rede Trançando a Vida de Campinas e Região, SOF – Sempre Viva Organização Feminista

Written by Deborah Moreira

02/08/2011 at 12:47

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Jovens agredidos sofrem falta de amparo na região

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Faltam políticas públicas de combate à violência doméstica contra os jovens na região. Apesar da origem da desigualdade entre homens e mulheres começar na infância, especialistas ouvidos pelo Diário apontam ser fundamental a adoção de programas na adolescência, quando as diferenças e as relações de poder entre homens e mulheres se acentuam.

Somente em São Bernardo há programas específicos para o público jovem (leia abaixo). Nas demais cidades, existem ações importantes e até de referência nacional que preveem a inclusão de jovens, como as casas-abrigo, mantidas pelo Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, para os que sofrem ameaça de morte. No entanto, não há nada específico voltado para meninos e meninas em fase de transformações hormonais.

A violência entre casais jovens vem ganhando evidência e sendo estudada por educadores. A socióloga Vânia Pasinato, do Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo), ressalta que o “machismo não tem classe social e nem idade” e que vem sendo passado geração após geração, principalmente a partir da educação transmitida dentro da família.

Ela lembra que a sociedade tem um acúmulo de avanços na discussão dos direitos da mulher e no reconhecimento da violência contra ela, principalmente na última década. Mas não foi suficiente para mudar a cultura.

Para a socióloga, ações voltadas para a juventude colocariam em evidência essa violência que começa a ser despertada logo nas primeiras experiências de namoro. “Os jovens reproduzem o comportamentos que têm em casa. A mídia também tem papel importante na reprodução dos valores machistas”, afirma Pasinato.

Pesquisa feita pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em dez capitais, entre agosto de 2007 e agosto de 2009, com 3.200 adolescentes de 15 a 19 anos, demonstra que nove em cada dez casais jovens de namorados já sofreram ou praticaram algum tipo de violência, do xingamento à agressão física, passando pelo sexo forçado à humilhação pública via internet. O estudo também revelou que meninas são tão ou mais agressivas que os meninos.

O pedagogo Ricardo Galhardo avalia que, em busca da autoafirmação e pressionado pela sociedade, o adolescente se afasta dos pais e da família e passa a ter os amigos e ídolos como referência.

“Apesar de ser influenciado, ele nega o mundo adulto e tem aversão ao Pai do Céu, ao pai da terra e ao pai da escola, que é o professor. Suas referências são amigos, a mídia, ídolos do mundo pop que muitas vezes estão relacionados às drogas”, afirma Galhardo, que é de São Bernardo.

Delegacia da região dá orientação errada

A auxiliar de cobrança Juliene de Lira, 23 anos, foi agredida verbal e fisicamente pelo tio em um domingo à tarde. Abalada, a moradora de Eldorado, em Diadema, foi acompanhada do namorado ao plantão policial do 1º DP (Distrito Policial). Quando contou o que houve, ouviu do escrivão de plantão que o atendimento ideal para o seu caso seria a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), que não abre nos fins de semana e feriados.

A equipe do Diário viu que o funcionário não se negou a fazer o BO (Boletim de Ocorrência). Porém, orientou a vítima a esperar e procurar por uma DDM, onde seu caso teria melhor encaminhamento. Segundo ele, além de ser plantão, os procedimentos na delegacia comum não seriam os mesmos que os da delegacia especializada, no dia seguinte, uma segunda-feira.

Indignada, Juliene foi embora se queixando da falta de uma solução imediata. Que teria que voltar para casa, onde poderia encontrar o tio novamente. No dia seguinte, encontrou a DDM fechada, porque era feriado de 15 de novembro.

Na terça-feira, dia 16, mais calma, conseguiu enfim fazer o boletim, mas desistiu de seguir adiante, já que as marcas não apareciam. “Ele (o tio) já tinha me batido uma vez. Felizmente mostrei o BO a ele, que não mexeu mais comigo. Mas me sinto frustrada em não ter resolvido da forma como acho que seria justo. Quer dizer, qualquer homem bate em uma mulher e fica por isso mesmo, só porque é fisicamente mais forte”, reclama.

Jorge Layre Guerreiro Filho, delegado titular do 1º DP, afirmou que o fato está sendo apurado e que serão tomadas as medidas cabíveis. A Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que todos os funcionários são orientados a registrar BOs de qualquer natureza, inclusive para dar prosseguimento às investigações ou encaminhar, depois, às delegacias especializadas.

O caso da auxiliar de cobrança é um típico exemplo do que ocorre com as mulheres nos fins de semana, quando as DDMs estão fechadas. A delegada Rosmary Corrêa, presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina e primeira delegada a assumir uma Delegacia da Mulher, nos anos 1980, disse que no caso de impossibilidade de a mulher se dirigir a uma DDM, toda delegacia comum deve atender prontamente a vítima de violência doméstica, em qualquer dia e horário.

“As leis brasileiras, que punem agressores e dão proteção à mulher, também garantem o atendimento à vítima em qualquer delegacia”, afirmou a delegada Rose, como é conhecida, durante evento na Capital que reuniu especialistas no assunto para inauguração do Portal Quebre o Ciclo.

Também presente, a farmacêutica cearense que inspirou a lei de violência doméstica que ganhou seu nome, Maria da Penha Maia Fernandes, defendeu a legislação do País. Questionada sobre a falta de eficácia na resolução dos casos que não são flagrantes, a maioria deles, concorda que ainda faltam delegacias especializadas no atendimento à mulher, principalmente no interior do País. Para ela, uma das soluções seria instalar pequenas delegacias da mulher em eventuais espaços ociosos de delegacias comuns. Atualmente, são 129 DDMs no Estado.

“Nosso desafio é interiorizar os equipamentos da lei nas cidades pequenas. Nas capitais e grandes centros urbanos há um número considerável. Mas, no interior, a mulher discriminada passa por situações de grande perigo, e sem amparo do Estado”, afirmou Maria da Penha.

Contos de fada desvendam as relações em São Bernardo

Você sabia que a história de Os Três Porquinhos foi pensada para a educação exclusiva de meninos? E que o príncipe de Cinderela na história original precisou ir a três bailes e percorrer um longo caminho até encontrar a Gata Borralheira, seu amor verdadeiro? Essas e outras histórias são analisadas no projeto Contando Histórias, da Fundação Criança de São Bernardo, mantido nas bibliotecas das escolas da rede municipal com objetivo de dar formação profissional em contação de histórias e cidadania.

Iniciado em 2007 somente com meninas entre 15 e 17 anos, o projeto atendeu cerca de 1.000 adolescentes. Destes, pelo menos 30% levaram conflitos domésticos para discussões com o grupo. Só em 2009 foram 333 garotas. Neste ano, finalmente foram abertas vagas para meninos; foram atendidos 150 adolescentes, mas a maioria, 133, meninas.

“Ainda são poucos meninos. Mas abrimos vagas para eles porque se não trabalhar o adolescente masculino ele estará excluído do processo, que é de toda a sociedade. Alguns não assumem compromissos com filho tido com a namorada. Então, apresentamos a história de Peter Pan, o menino que não quer crescer e ter responsabilidades”, compara Josenildo Luiz Gonzaga, 27 anos, educador responsável pelo trabalho.

As meninas também refletem suas posições sociais a partir das histórias, como em Cinderela. “O conto ganhou o imediatismo e contornos da sociedade moderna. Mas, no original, o príncipe vai a três bailes e percorre toda a cidade até encontrar a mulher amada. Também abordamos a idealização do homem e da mulher nos contos, como príncipes e princesas perfeitas. Na vida real não é bem assim”, ressalta Luiz Gonzaga.

Para Fernanda, 15, que há pouco mais de dois meses participa do projeto, contar histórias para crianças de 7 e 8 anos mudou a forma de enxergar a vida. A adolescente, adotada pelos tios, já que a mãe biológica, então solteira, não teve condições de criá-la, não espera que a vida seja um conto de fadas, mas deseja algo melhor. “Não quero que a história se repita comigo”, conta.

A Fundação Criança também mantém, há cinco anos, o Rotativo Cidadão, que fiscaliza o estacionamento nas vagas pagas em vias públicas em troca de bolsa de R$ 300. Voltado para jovens entre 18 e 21 anos, já atendeu 1.800 deles com objetivo de inseri-los no mundo do trabalho. Paralelamente, recebem capacitação profissional. Atualmente, 209 são atendidos, sendo 122 moças.

A coordenadora do Núcleo de Oportunidades e Inclusão da Fundação, Dagmar Cândido, explica que eles acabam levando as experiências vivenciadas nas ruas, o que ajuda nas reflexões de gênero. “Não é um programa que discute somente gênero. A ideia é fazer com que vivenciem o universo profissional e, com isso, reflitam sobre diversas questões”, explica.

Falta atendimento diferenciado na região

Apesar de o atendimento a mulheres em situação de violência doméstica no Creas (Centro de Referência Especializado da Assistência Social) estar previsto, não há ainda em qualquer unidade o amparo “especializado e necessário” para as vítimas. A afirmação foi feita pela secretária Aparecida Gonçalves, da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher da SPM (Secretaria de Políticas para Mulheres), do governo federal.

Segundo ela, será preciso cerca de um ano e meio para treinar todos os funcionários, o que só acontecerá a partir de 2011. “Elas (vítimas) estão sendo atendidas. Mas é preciso equipe especializada e sala separada para preservá-las. Todos os processos e critérios estão em fase de discussão. Já garantimos o atendimento a mulheres que estão em situação de abrigamento pelo serviço da assistência social. Agora, vamos capacitar o pessoal nos Creas”, afirma Aparecida.

O Creas foi criado pelo Ministério do Desenvolvimento Social para compor o Suas (Sistema Único de Assistência Social), com objetivo de universalizar o atendimento público às vítimas de conflitos familiares que têm direitos ameaçados, incluindo crianças, adolescentes e idosos. Os casos mais simples são encaminhados aos Cras (Centros de Referência de Assistência Social).

Organizações de mulheres da região vêm alertando para o risco de os três centros que atendem exclusivamente vítimas de violência doméstica do Grande ABC serem substituídos por futuros Creas. Somente Santo André admitiu estar estudando a possibilidade de receber recursos federais e transferir atendimento do Vem Maria para o Creas.

Em São Bernardo e Diadema, onde também há atendimento especializado, a manutenção está garantida. “Os centros que já atendem são uma conquista histórica das mulheres, e aqui será mantido. Mas acredito que é possível a instalação de Creas onde ainda não existe o atendimento especializado”, explica Márcia Leal, diretora de Proteções Sociais da Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Diadema. Ela é responsável pela Casa Bete Lobo, que faz 40 atendimentos mensais e acompanha atualmente 90 mulheres, incluindo as encaminhadas para casas-abrigo da região. A instituição é mantida com recursos do município, cerca de R$ 400 mil ao ano para despesas com pessoal e locação do imóvel, e da Seads (Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social), com R$ 24 mil ao ano. O ministério só financia Cras e Creas.

Em todo o País, são contabilizados 164 centros de referência mantidos pelos municípios, mas em alguns casos há verba federal para aquisição de equipamentos. O Creas soma 2.034 unidades e conta com verba do ministério.

A secretária do órgão federal lembra que o Creas tem maior capilaridade e pode exercer a mesma função que os centros de referência, sem prejudicá-los. “Em cidades com poucos habitantes, por exemplo, eles serão fundamentais. Outro ponto que estamos discutindo é o conceito de família, que mudou muito. Em alguns casos, a manutenção do casamento, da família, é tudo o que a mulher não precisa”, ressalta Aparecida.

Marlene Bueno Zola, coordenadora de Assistência Social da Seads, afirma que a rede Suas tem somente cinco anos e que há muito a ser discutido. Ela lembra que o Estado repassa recursos para municípios aplicarem nos centros exclusivos de mulheres, normalmente administrados por uma entidade. “A lei orgânica de assistência social prevê que a primazia da política de assistência é pública e pode ser desenvolvida em parceria com a sociedade civil. E na secretaria isso é levado em conta. É o que conhecemos por rede socioassistencial”, explica Marlene.

ONU aposta em mudança na juventude

A Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) está investindo em projetos de combate à violência contra a mulher que têm o jovem como foco. Um deles é o portal recém-inaugurado Quebre o Ciclo (www.quebreociclo.com.br), em parceria com a iniciativa privada.

“É para operadores da Justiça como advogados e juízes, e para jovens. Dois públicos-chave na reeducação”, declara Rebecca Tavares, representante do Unifem, que passa a ser ONU Mulheres em janeiro. Ela participou do lançamento do portal e falou com exclusividade ao Diário.

A entidade também vem apoiando projetos da sociedade civil e governamentais. “O papel do Estado é fundamental. Por isso dedicamos a maior parte do trabalho na promoção de políticas públicas, apoiando grupos da sociedade na articulação com o governo para implantação das mesmas. É a forma mais segura de fomentar a igualdade”, afirma a representante da ONU no País, que atua dentro do contexto de acordos internacionais como o Decreto Universal de Direitos Humanos e a Cedaw (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher), de 1979.

Rebecca Tavares, que atua na defesa dos direitos das mulheres há mais de 20 anos, lembra que em países desenvolvidos como Dinamarca há maior igualdade de gênero, inclusive com adoção de licença-paternidade estendida. “Na Dinamarca há o índice de felicidade mais alto do mundo. Não posso dizer que é por causa da igualdade, mas é um dado interessante”, observa.

A especialista norte-americana lembra que a desigualdade de gênero faz parte de um conjunto de discriminações que precisam ser tratadas de maneira articulada e integrada.

“Ainda há muita discriminação de raça, de etnia, de identidade sexual, de portadores de HIV, de imigrantes e, mais recentemente, com idosos. Todas essas discriminações fazem parte de um fenômeno que se refere às relações de poder estabelecidas ao longo dos tempos nas sociedades”, avalia.

Matéria publicada originalmente no Diário do Grande ABC em 27/12/2010

Written by Deborah Moreira

26/01/2011 at 12:09

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Não vote em mulher pêra e similares!

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Um conto, recanto de encontros
Um ponto, joelhos, vermelhos são olhos
Aponto,  de pronto, vem logo
Aqui, vem dentro e além
Vem indicador, vem me tocar 
Meu nome não é candidato, nem mesmo partido eu tenho
Para conhecer, não tem que alisar
Tem que penetrar no mesmo lugar de onde as ideias saem para enfeitar
Sou objeto de desejo, não deixe de vir
Capriche no voto, seja mais feliz   

(a urna eletrônica)

Só chamando sua atenção para a importância de votar no próximo domingo. Ao contrário da capa da Veja desta semana – uma simulação de uma página em branco sendo virada – votar em branco ou anular jamais. Se informe! Vote! … E com consciência!

NÃO VOTE EM MULHER PÊRA E SIMILARES…

Written by Deborah Moreira

02/10/2010 at 3:53

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Hoje: Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe

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Para marcar o Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe, hoje,  diversas entidade realizam uma escuta com candidatos e candidatas ao Congresso Nacional, que farão exposição sobre direitos das mulheres, das 16h às 21h, no Auditório 2 Candangos na Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília), em Brasília, DF (Distrito Federal).

Durante a abertura será lançado o vídeo Pela vida de todas nós, que é um apelo para a participação das mulheres na vida política do País, com foco na atuação do Congresso Nacional onde tramitam diversos projetos de lei relacionados às mulheres.

Mais informações em: http://www.portodasnos.blogspot.com/

Quem promove
O FMDF (Fórum de Mulheres do DF), Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, Fórum de Promotoras Legais Populares do DF, AMB (Articulação de Mulheres Brasileiras) e Rede Feminista de Saúde – Regional DF.

Confira o trailer do vídeo:

Written by Deborah Moreira

28/09/2010 at 2:48

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MTV aborda debate sobre presença da mulher na política

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Dando continuidade a série Tome conta do Brasil, a MTV gravou programa que sintetiza a questão sobre mulheres e política.
Especialistas respondem a grande questão: como aumentar a participação delas nos espaços públicos de poder, como representantes eleitas na política?

Confira no link :
http://mtv.uol.com.br/porque-existem-tao-poucas-mulheres-na-politica

Written by Deborah Moreira

13/09/2010 at 2:58

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